não sabe brincar, não desce pro play
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:: uébidesigner na rua augusta ::
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uébidesainer da rua augusta Ela espera e não desespera na rua augusta Ela quer quem vier, quem trouxer, quem disser: quanto custa? Ela sabe que os homens do bronx estão pra chegar E em câmara lenta ela tenta esquecer no bar Seu olhar inquieto vacila na Consolação Seu corpo faceiro desfila na escuridão Atravessa a rua sorrindo e nem olha pra trás Porque trouxe consigo um black do Bira Vaz Fim de mês é a hora e a vez de rever os parentes Ela vai levando nas mãos milhões em presentes Num instante se torna a mocinha do interio-oor Num alguém com a pureza de quem nunca teve um amor Como vai pergunta Mersão à irbãa queriiida Ele quer saber como é que está sua vida Ela diz que é muito feliz e mucho le gusta Que trabalha como uébidesigner na rua Augusta 4x Cesar Sampaio / ladybug
Tanto
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Coveiros gemem tristes ais E realejos ancestrais juram que Eu não devia mais querer você Os sinos e os clarins rachados Zombando tão desafinados Querem, eu sei, mas é pecado Eu te perder É tanto, é tanto Se ao menos você soubesse Te quero tanto Políticos embriagados Dançando em guetos arruinados E os profetas desacordados A te ouvir Eu sei que eles vem tomar meu drinque em seu copo a trincar E me pedir pra te deixar partir É tanto, é tanto Se ao menos você soubesse Te quero tanto Todos meus pais querem me dar Amor que he tempos não esta lá E suas filhas vão me deixar Por isso não me preocupar Eu voltei pra minha sina Contei pra uma menina Meu medo só termina estando ali Ela é suave assim E sabe quase tudo de mim Ela sabe onde eu Queria estar enfim É tanto, é tanto Se ao menos você soubesse Te quero tanto Mas seu dândi vai De paletó chinês Falou comigo mais de uma vez Não, eu sei, não fui muito cortês Com ele, não Isso, porque ele mentiu...
.: reflectere :.
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re.fle.tir 1 Fazer retroceder (um corpo elástico), desviando da direção anterior. vtd e vpr 2 Espelhar(-se), representar(-se), retratar(-se): O espelho tudo reflete. "...esmaltam de vida (vilas, aldeias) o verde profundo dos vales... ese refletem nas águas tranqüilas dos lagos" (Silveira Bueno). 3 Exprimir, revelar, traduzir: "Os animais, fogosos e bem ajaezados, refletem a impaciência dos cavaleiros" (Francisco Marins). 4 Repetir, ecoar: Refletia a montanha o troar dos canhões. 5 Fís Desviar ou fazer retroceder segundo a lei da reflexão (os raios luminosos, caloríficos ou sonoros); retratar, defletir: O espelho reflete os raios luminosos. O prisma reflete a luz. 6 Incidir, recair: A glória do insigne estadista reflete em seu povo. Vinha o terror refletir sobre todos os passageiros do avião. A prevaricação do chefe refletiu-se nos subordinados. 7 Repercutir-se, transmitir-se: Efeitos do que se faz na capital refletem no interior. O progresso paul...
.: desiderata :.
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Vá placidamente por entre o barulho e a pressa e lembre-se da paz que pode haver no silêncio, sem capitular, esteja de bem com todas as pessoas. Fale a sua verdade, calma e claramente; e escute os outros, mesmo os estúpidos e os ignorantes; também eles têm a sua história. Evite pessoas barulhentas e agressivas. Elas são um tormento para o espírito. Se você se comparar a outros pode tornar-se vaidoso e amargo; porque sempre haverá pessoas superiores e inferiores a você. Desfrute suas próprias conquistas assim como os seus planos. Mantenha-se interessado na sua própria carreira, mesmo que humilde; é o que realmente se possui na sorte incerta dos tempos. Exercite a cautela nos negócios; porque o mundo é cheio de artifícios. Mas não deixe que isso o torne cego à virtude que existe; muitas pessoas lutam por altos ideais e por toda a parte a vida é cheia de heroísmo. Seja você mesmo. Principalmente não finja afeição nem seja cínico sobre o amor; porque em face de toda aridez e de...
.: santo amaro :.
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SANTO AMARO Luiz Cláudio Ramos / Franklin da Flauta / Aldir Blanc Eu ia a pé da ladeira Santo Amaro Até a Rua do Catete Num sobrado onde você residia E te levava prum passeio em Paquetá Onde nasceu num piquenique O nosso rancho, o Ameno Resedá Verde, grená e amarelo, nossas cores Resedá, vocês são flores como flor Era a papoula do Japão Tua rival saiu no Flor do Abacate De destaque no enredo da Rainha de Sabá Os lampiões, os vaga-lumes Você triste, com ciúmes Eu charlando, resmungando Que melhor era acabar Pobre farsante de teatro ambulante Meu amor de estudante Não soube representar E o casamento aconteceu Vieram filhos, muitos netos Muitas dores, muitos tetos Mas o amor a tudo isso ultrapassou Hoje, sozinho, eu voltei feito andorinha A Pedra da Moreninha, onde tudo começou Olhando o mar, pensei na vida ao teu lado Como um choro do Callado Um piano de Nazareth Saudade grande o dia inteiro Mas com jeito de alegria Do pandeiro, do Gilberto no Jacob ...
;: doçura :.
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a cumplicidade que entrelaçou os milésimos de segundos em que nossos olhares se encontraram foi o sinal que tanto esperava para assumir de fato que te queria. contagiada pelo bater forte de seu coração, fui munida de lábios trêmulos ao universo paralelo da doçura que poucos podem sentir. lá estava eu, me sentindo viva e apavorada, achando graça da timidez dele ao olhar para mim. lá estava ele, entalhando uma nova marquinha na árvore dos ínfimos momentos doces.
.: estar sozinho :.
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Tornei-me um homem da multidão. Nunca confiei em mim próprio o bastante para estar sozinho. Dia e noite caminhava lestamente através das multidões, acotovelando, agarrando-me ansioso a quem pudesse. Muitos pensavam que eu era ladrão. Mas comprimia o meu corpo contra o corpo dos outros como uma criança se agarra à mãe durante uma tempestade. Procurava tapar os olhos à minha consciência como uma criança procura não avistar o relâmpago; esforçava-me por tapar os meus ouvidos mentais, como uma criança procura esconder-se no regaço da mãe para não ouvir o som dos trovões. E se houvesse uma clareira nessa multidão, apressava-me, corria, os braços esticados, ansioso pelo toque do corpo de alguém, o meu próprio corpo ansioso pelo contacto fugaz. E sempre, sempre, entre a confusão e o ruído das passadas, tremia a ouvir esses passos constantes, inexoráveis. F ernando Pessoa manuscrito, original em Inglês (1904-1908)
.: meu cafofo :.
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25 anos depois, hoje é o grande dia. Desde que me entendo por gente, esperei pelo momento que sairia de casa, da casa aonde se encontram os rascunhos originais de todas as pessoas que conheço por família. Histórias, sensações, objetos... tudo o que fui durante praticamente 16 anos da minha vida. Cada foto, rodapé, parede, piso quebrado. Eu sei de tudo, tudo. Eu senti tudo. Na prática, percebi que, para (sobre)viver, preciso basicamente de uma bolsa que separei: com o notebook e a pasta de todos os documentos. Com isso, posso trabalhar, e ser gente, como pede a cartilha. Todas as outra coisas são apenas o elo paupável com tudo de mim que não quero esquecer. Engraçado, depois de muito tempo, ter a sensação de sábado no quarto de casa, revendo 1/4 de século dentro desse universo dentro de quatro paredes. A sensação de ter que dar um jeito de guardar todas as lembranças na cabeça de uma vez só, para não ter que morar para sempre com os bilhetinhos, notas, borrachas, telefones, cartas,...
:: confissão ::
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Não amei bastante meu semelhante, não catei o verme nem curei a sarna. Só proferi algumas palavras, melodiosas, tarde, ao voltar da festa. Dei sem dar e beijei sem beijo. (Cego é talvez quem esconde os olhos embaixo do catre.) E na meia-luz tesouros fanam-se, os mais excelentes. Do que restou, como compor um homem e tudo que ele implica de suave, de concordâncias vegetais, murmúrios de riso, entrega, amor e piedade? Não amei bastante sequer a mim mesmo, contudo próximo. Não amei ninguém. Salvo aquele pássaro – vinha azul e doido – que se esfacelou na asa do avião. (Carlos Drummond de Andrade)
sinto saudade da minha avó quando estou doente
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me sinto frágil, pequena. triste, com dor, cansada. me ouço em um fiozinho de voz e não me identifico no meio de tudo isso. será que a persona desaparece quando fico doente? queria um abraço, uma sensação quente que me fizesse sentir que tudo vai dar certo. uma respiração pra acalmar o meu coração tão doído. dói, dói, e eu tenho vergonha de publicar. será que vai ser dessa vez? queria que você estivesse comigo, e simplesmente passasse a mão no meu rosto. queria que engolir o choro não fosse tão NECESSÁRIO. queria não te magoar, dizendo verdades que hoje só cabem a mim, porque sou a adulta e preciso entender que somos CONSEQUÊNCIA de uma vida de sofrimentos. queria SENTIR que você fez o melhor que pôde, dentro do cenário que sempre tivemos. queria ser forte como digo que sou. fazer o meu próprio chá no meio de uma gripe, e não desejar que esse gesto de carinho fosse a resposta para todo o vazio que sinto. queria não acreditar que estou que pedindo migalhas de atenção, enquanto ...
.: das verdades que escoam pelas mãos :.
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chega um momento em que é a hora de largar o lápis e aparar as arestas da própria linha de raciocínio. recortar e colar informações da vida não colabora mais tanto quanto deveria, e o eixo (aquela linha tênue entre expectativa e realidade) perde a forma, perde a trilha das migalhas de pão que foram jogadas justamente para que demarcar o caminho de volta. a sabedoria não está somente em saber seguir, mas também em entender a importância de voltar. não no sentido de voltar atrás mas no de revisitar o lugar de origem, aquele segundo que explodiu a primeiro desejo de ir além e experimentar os novos sabores. parei e repassei mentalmente todos os passos que me trouxeram até aqui, e percebi que nem todos os atalhos necessariamente pouparam ou encurtaram a minha caminhada. percebi também que os companheiros de caminhada podem ter o ritmo completamente diferente do seu, e o que importa mesmo é que nos dêem a esperança de que é possível chegar lá. por hoje, decidi ficar por aqui. esperand...
.: vizinho do 57 :.
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Na minha rua, no 59 eu vivia alegre sem pensar na vida Mas o vizinho do 57 debruçou no muro e me chamou: "querida" deu-me o galho de uma trepadeira, um craveiro e uma roseira pra plantar no meu jardim depois pegando minha mão nervosa, encostou coração e jurou gostar de mim A trepadeira que eu plantei cresceu tomou conta da varanda, carregando-se de flor e eu também que não pensava em nada só lembrando meu vizinho carreguei de amor Mas veio um dia pro 55 uma jovem linda, um abismo em flor o meu vizinho do 57 foi falar com ela e julhou-lhe amor Deu-lhe também o galho roseira e da mesma trepadeira pra plantar no seu jardim E eu chorando do 59 compreendi que o meu vizinho não gostava mais de mim a trepadeira que eu plantei murchou morreu desiludida na ilusão de quem promete e eu também senti morrer no peito o amor do meu vizinho do 57 Intérprete: Emilinha Borba +++++++++++++++++++++++++++ (pelo cheiro de café e uvas maduras que pairavam nas m...
.: dor :.
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entramos na sala gelada, cheirando a formol. o coveiro abre a geladeira, e ouve-se o baque surdo da maca no chão. com o rosto de lado, reconhecemos o brinco, um pedaço dourado num corpo gelado, seco. a carcaça vazia, de uma pessoa que amamos, que conhecíamos. que até dois dias atrás era cheio de vida. não foi uma morte surpresa, arrebatadora. foi uma morte chorada, pois assim merecia. lembranças de uma vida que se entrelaça à nossa e grava com o toque lúdico o que só os que amamos podem gravar.
.: porquês :.
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Por afinal eu me pego novamente cutucando com a agulha de tricô aquela ferida antiga, vasculhando inescrupulosamente essa dor que nem tenho certeza ser minha Mesmo quando passado, não era presente. Já não era bonito e nem era meu. Por que, então? Incansavelmente, repasso a mesma cena, até sentir o chão rodar e o peito encher de mágoa. Ranço por nunca optar por estar comigo, cansaço por nadar em vão nos fatos rasos que nunca preencheram minha piscina de bolinhas coloridas.
.: é difícil ser leve :.
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a seriedade é um vício, não uma virtude te ensinaram a levar-se a sério bancando o adulto egoísta, se afundando num escritório marrom tentando alcançar o céu azul a pompa, o texto pronto, o previsível é muito mais natural do que lançar-se no salto do riso, erguendo-se para o alegre esquecimento de si mesmo é fácil ser pesado.
.: a menina dos fósforos :.
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Estava tanto frio! A neve não parava de cair e a noite aproximava-se. Aquela era a última noite de Dezembro, véspera do dia de Ano Novo. Perdida no meio do frio intenso e da escuridão, uma pobre rapariguinha seguia pela rua fora, com a cabeça descoberta e os pés descalços. É certo que ao sair de casa trazia um par de chinelos, mas não duraram muito tempo, porque eram uns chinelos que já tinham pertencido à mãe, e ficavam-lhe tão grandes, que a menina os perdeu quando teve de atravessar a rua a correr para fugir de um trem. Um dos chinelos desapareceu no meio da neve, e o outro foi apanhado por um garoto que o levou, pensando fazer dele um berço para a irmã mais nova brincar. Por isso, a rapariguinha seguia com os pés descalços e já roxos de frio; levava no avental uma quantidade de fósforos, e estendia um maço deles a toda a gente que passava, apregoando: — Quem compra fósforos bons e baratos? — Mas o dia tinha-lhe corrido mal. Ninguém comprara os fósforos, e, portanto, ela ainda nã...
.: semear-se :.
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Ir fundo dentro de si é ao mesmo tempo desorientador e bonito. Porque só lá no fundo é que a terra é mais fértil, pode-se plantar o que quiser, sem a preocupação com os olhares externos. A constância da boa colheita vem com a observação e principalmente amor à terra semeada. Somos o íntimo, o potencial escondido dentro de uma matéria orgânica. Material esse que reflete a fome da nossa alma descuidada, viciada e dependente de sofrimentos embutidos nos imediatismos sociais.
.: os sapatinhos vermelhos :.
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Era uma vez uma pobre órfa que não tinha sapatos. Essa criança guardava os trapos que pudesse encontrar e, com o tempo, conseguiu costurar um par de sapatos vermelhos. Eles eram grosseiros, mas ela os adorava. Eles a faziam com que se sentisse rica, apesar de ela passar seus dias procurando alimento nos bosques espinhosos até muito depois de o sol nascer. Um dia, porém, quando ela vinha caminhando com dificuldade pela estrada, maltrapilha e com seus sapatos vermelhos, uma carruagem dourada passou ao seu lado. Dentro dela, havia uma senhora de idade que lhe disse que ia levá-la para casa, e tratá-la como se fosse sua própria filhinha. E assim foram para a casa da rica senhora. Lá o cabelo da menina foi lavado e penteado. Deram-lhe roupas de baixo de um branco puríssimo, um belo vestido de lã, meias brancas e reluzentes sapatos pretos. Quando a menina perguntou pelas roupas velhas, e em especial pelos sapatos vermelhos, a senhora disse que as roupas estavam tão imundas e os sapatos e...
.: saudade :.
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saudade . [Do lat. solitate, 'soledade', 'solidão', pelo arc. soydade, suydade, poss. com infl. de saúde.] S. f. 1. Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia: "Saudade! és a ressonância / De uma cantiga sentida, / Que, embalando a nossa infância, / Nos segue por toda a vida!" (Da Costa e Silva, Pandora, p. 83); "E uma saudade de casa começou a me agoniar." (José Lins do Rego, Doidinho, p. 171) 2. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido. 3. Bot. Designação comum a diversas plantas da família das dipsacáceas, principalmente da espécie Scabiosa maritima, e às suas flores; escabiosa, suspiro: "E ela deu-lhe do seio uma saudade / Murcha, e no entanto bela" (Gonçalves Dias, Obras Poéticas, II, p. 98) 4. Bot. Planta da família das asclepiadáceas ( Asclepias umbellata). 5. Bras. Zool. V. assobiador (4). ...
.: parquinho :.
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fora as lembranças cotidianas (a casa grande, o cheiro de tinta e principalmente a tonalidade do dia quando ia embora), sua primeira lembrança datava dos 4 anos de idade; e era a lembrança de uma frustração. numa tarde de primavera, a professora ensinava a uma parte das crianças como fazer colares de flores ou folhas, para que ao terminar pudessem enlaçar um amiguinho preferido com ele. uma após a outra, as crianças terminavam o colar e iam passá-lo em torno do coleguinha almejado. ao contrário dos outros, não avançava, as folhas arrebentavam-se, tudo destruía-se entre suas mãos. como explicar-lhes que necessitava de amor? como, sem o colar de folhas? começou a chorar de raiva, de solidão. a professora não veio ajudar-lhe. quando levantou os olhos, todos tinham ido, e a escola estava fechando.
.: a pessoa errada :.
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Pensando bem Em tudo o que a gente vê, e vivencia E ouve e pensa Não existe uma pessoa certa pra gente Existe uma pessoa Que se você for parar pra pensar É, na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa Faz tudo certinho Chega na hora certa, Fala as coisas certas, Faz as coisas certas, Mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada. A pessoa errada te faz perder a cabeça Fazer loucuras Perder a hora Morrer de amor A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar Que é pra na hora que vocês se encontrarem A entrega ser muito mais verdadeira A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa Essa pessoa vai te fazer chorar Mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas Essa pessoa vai tirar seu sono Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível... (Luis Fernando Veríssimo)
.: suave é viver só :.
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Segue o teu destino, Rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é a sombra De árvores alheias. A realidade Sempre é mais ou menos Do que nós queremos. Só nós somos sempre Iguais a nós-próprios. Suave é viver só. Grande e nobre é sempre Viver simplesmente. Deixa a dor nas aras Como ex-voto aos deuses. Vê de longe a vida. Nunca a interrogues. Ela nada pode Dizer-te. A resposta Está além dos deuses. Mas serenamente Imita o Olimpo No teu coração. Os deuses são deuses Porque não se pensam. 1-7-1916 Odes de Ricardo Reis . Fernando Pessoa. (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994). - 68.
.: amar sem temer :.
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das sensações mais esquisitas, é essa: soco no estômago com fiozinho gelado pela espinha. confiar ou não, deixou de ser a questão. repasso mentalmente palavras que nunca foram minhas. sensação de verão quente, num tapa de vento no rosto; toca o alarmezinho constante: "não se meta onde não deve". pergunta que nunca cala: será que algum dia saberemos amar sem temer?
The laughing heart
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your life is your life don’t let it be clubbed into dank submission. be on the watch. there are ways out. there is light somewhere. it may not be much light but it beats the darkness. be on the watch. the gods will offer you chances. know them. take them. you can’t beat death but you can beat death in life, sometimes. and the more often you learn to do it, the more light there will be. your life is your life. know it while you have it. you are marvelous the gods wait to delight in you.
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Estão todas as verdades à espera em todas as coisas: não apressam o próprio nascimento nem a ele se opõem, não carecem do fórceps do obstetra, e para mim a menos significante é grande como todas. (Que pode haver de maior ou menor que um toque?) Sermões e lógicas jamais convencem o peso da noite cala bem mais fundo em minha alma. (Só o que se prova a qualquer homem ou mulher, é que é; só o que ninguém pode negar, é que é.) Um minuto e uma gota de mim tranquilizam o meu cérebro: eu acredito que torrões de barro podem vir a ser lâmpadas e amantes, que um manual de manuais é a carne de um homem ou mulher, e que num ápice ou numa flor está o sentimento de um pelo outro, e hão-de ramificar-se ao infinito a começar daí até que essa lição venha a ser de todos, e um e todos nos possam deleitar e nós a eles. ...