quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Chovendo no jardim

No meio do silêncio a mensgem: "Te dedico um vídeo: Pranto Livre. É da Elza." Mal temino de ler e percebo que já estou chovendo.

Começo a ouvir a música e, ao contrário do choro quase habitual, sinto cada gota escorrer, trazendo de mim toda a dor, culpa e sujeira dos cantinhos de um coração partido.

Com gosto salgado nos lábios, de repente sorrio ao perceber que é um começo, e há muito trabalho a ser feito. "Não há notícia ruim que não acompanhe um certo alívio"

Sou feita de amor, e este sempre será o melhor motivo para molhar as palavras. <3

chora, desabafa teu peito,

chora, você tem o direito

se tratando de amor,

qualquer um pode chorar

não se envergonhe do pranto, que é

privilégio de quem sabe amar

quem não teve amor nunca sofreu,

e desconhece o que é agonia

abra o peito e deixe o pranto livre como eu.

ah, desabafe a melancolia

domingo, 20 de novembro de 2016

Finge que não mas mente, com a convicção cirúrgica necessária para convencer qualquer coração idiota como o meu, sedento por qualquer (in)verdade.

Enxergo a cada dia meus erros e incompletudes, mas isso não muda nada: te enterro de novo, de novo, e de novo; quase todos os dias.

E hoje você nem mais existe - talvez nunca tenha existido.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Me pega do chão, põe no céu

Madrugou e minha alma fica alerta, procurando teu sinal. Nossos horários sempre foram outros, os nossos.
Vontade de cantar toda bestinha, celebrando o universo que mora nos teus olhos;
Sonhando em me banhar no perfume daquele espacinho atrás da tua orelha, que já nasceu deixando saudade.
Como pode?
A música anestesia como goles de marasmo, e me joga novamente na encruzilhada do querer:
Devemos seguir a verdade do coração, ou ceder ao medo e também fingir em trocas de migalhas?
Sinto escorrer em meu rosto e finalmente encaro a pergunta que meu peito nunca deixou de indagar:
Como pôde?

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Olha meu amor, eu estou voltando...

Em 2001 abri este espaço com a rudimentar consciência de que, por meio da escrita, de alguma forma, eu me encontraria. Tive periodicidade na escrita de um "diário" por poucos anos, e a maior parte das publicações que fiz foram apagadas ou rascunhadas ao longo dos anos, por "vergonha alheia" da Elaine do passado, pelo receio da super-exposição e principalmente por não comunicar mais o que acho importante ser registrado. Mas eu ainda estava aqui.

Inhaí que os anos passaram e nesse mundo de ilusões - onde a gente projeta tudo que acontece com base nos acontecimentos externos -, o finado Orkut, Facebook e as redes sociais todas seduziram-me, ocupando o tempo que antes eu aqui investia.

O propósito de estar aqui, 15 anos depois, é conciliar a disciplina dos meus estudos diários, com reflexões e aprendizados. Também é exercitar a percepção da clareza, sem receio de expor minha "verdadeira" opinião momentânea, e com muita sorte, atrair pensamentos que venham a contribuir com este processo.

Como toda grande mudança tem seus desapegos, volto pra casa de olhos marejados e braços abertos, meu amor.