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:: livre ::

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no meio da escuridão, a mensagem
daquele que sempre sabe quem tô:

"Toma este vídeo:
Pranto Livre.
É da Elza."

mal cliquei e me vi chovendo.
começou garoa de verão e
virou tempestade.
pancadas de chuva.

em cada trovoada uma dor,
uma rajada de culpa.
em cada gota, as sujeiras dos cantinhos
deste coração partido.

"Não há notícia ruim que não acompanhe um certo alívio"
sussurrou-me aquela voz.

com gosto salgado nos lábios,
sorrio ao perceber que sou feita de amor,
o melhor tempero paras palavras que virão da minha boca.

chora, desabafa teu peito,
chora, você tem o direito
se tratando de amor,
qualquer um pode chorar
não se envergonhe do pranto, que é
privilégio de quem sabe amar
quem não teve amor nunca sofreu,
e desconhece o que é agonia
abra o peito e deixe o pranto livre como eu.
ah, desabafe a melancolia








:: pinóquio ::

finge que não, mas mente,
com a convicção cirúrgica necessária
para convencer qualquer coração idiota como o meu,
sedento por qualquer (in)verdade.

Enxergo a cada dia meus erros e incompletudes,
mas isso não muda nada:
te enterro de novo, de novo, e de novo; quase todos os dias.
e hoje você nem mais existe - talvez nunca tenha existido.

:: me pega do chão, põe no céu ::

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madrugou e minha alma fica alerta, procurando teu sinal.
nossos horários sempre foram outros, os nossos.
vontade de cantar toda bestinha, celebrando o universo que mora nos teus olhos; sonhando em me banhar no perfume daquele espacinho atrás da tua orelha, que já nasceu deixando saudade.
Como pode?

a música anestesia como goles de marasmo, e me joga novamente na encruzilhada do querer: devemos seguir a verdade do coração, ou ceder ao medo fingindo em trocas de migalhas? sinto escorrer em meu rosto e finalmente encaro a pergunta que meu peito nunca deixou de indagar:
Como pôde?

:: olha meu amor, eu estou voltando... ::

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Em 2001 abri este espaço com a rudimentar consciência de que, por meio da escrita, de alguma forma, eu me encontraria. Tive periodicidade na escrita de um "diário" por poucos anos, e a maior parte das publicações que fiz foram apagadas ou rascunhadas ao longo dos anos, por "vergonha alheia" da Elaine do passado, pelo receio da super-exposição e principalmente por não comunicar mais o que acho importante ser registrado. Mas eu ainda estava aqui.

Inhaí que os anos passaram e nesse mundo de ilusões - onde a gente projeta tudo que acontece com base nos acontecimentos externos -, o finado Orkut, Facebook e as redes sociais todas seduziram-me, ocupando o tempo que antes eu aqui investia.

O propósito de estar aqui, 15 anos depois, é conciliar a disciplina dos meus estudos diários, com reflexões e aprendizados. Também é exercitar a percepção da clareza, sem receio de expor minha "verdadeira" opinião momentânea, e com muita sorte, atrair pensamentos que venham a …

:: kundalini ::

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:: encasulada ::

dentro do casulo negro, minúsculo, sem mobilidade, visibilidade, sem ar.

não moro mais em mim, não aguento não-ser, por mais um dia.

deu no face que o vácuo tem mais força que tudo, até do que a própria força.
algo disse que por isso, lá fora só podia ser melhor.

explodo em fúria, abro o peito e a espinha. abro os braços para, talvez, romper a casca.
desfaço um pouco contra a parede, e depois de insistir, desfaço também com ela.
sinto que já não era mais só eu.

só que do vão lá de fora, não vem o que esperava.
demonstro tentativa de estancamanto, mas não tem nada de ação, não passa de ideia.
lama negra, viscosa, tóxica é o que me rodeia,
continua entrando no buraco que tento tapar casualmente, fechando os olhos.

deu no face que o vácuo tem mais força que tudo.
que a massa não tá com nada, só vale se tiver molho vermelho.
e não é o da ideologia.

com o passar do tempo, aprendi a mentir que talvez sempre tenha sido assim.