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Mostrando postagens de fevereiro, 2009
resolveu sumir. isso mesmo. sumir do mundo e da realidade que há pelo menos 20 anos chamava de sua. o mundo lhe vinha somente através dos jornais velhos que os vizinhos descartavam, e do barulho da rua. nunca parou pra pensar no passado e de fato sentia que não tinha absolutamente qualquer vínculo com os dispositivos que usava para reconhecer suas emoções. saiu em um dia chuvoso, depois de muito tempo. buscou um bar, um rosto ou qualquer momento que significasse qualquer coisa. a mesma cenografia, e apesar de os rostos serem outros, continham os mesmos olhares apáticos. apáticos como o seu. correndo pelas ruas, escorregou no meio fio e sentiu claramente o ódio cegar-lhe e entalar em sua garganta. gritou e esmurrou um muro até cansar. enquanto vociferava, mordeu o lábio inferior. estava vivo, era óbvio, ao ver o sangue escorrer pela camisa branca. mas não sentia nada, a dor interior era infinitamente maior do que qualquer rasgo em sua carcaça. - porra! arfando, se deixou toma...