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Mostrando postagens de julho, 2004

.: a menina dos fósforos :.

Estava tanto frio! A neve não parava de cair e a noite aproximava-se. Aquela era a última noite de Dezembro, véspera do dia de Ano Novo. Perdida no meio do frio intenso e da escuridão, uma pobre rapariguinha seguia pela rua fora, com a cabeça descoberta e os pés descalços. É certo que ao sair de casa trazia um par de chinelos, mas não duraram muito tempo, porque eram uns chinelos que já tinham pertencido à mãe, e ficavam-lhe tão grandes, que a menina os perdeu quando teve de atravessar a rua a correr para fugir de um trem. Um dos chinelos desapareceu no meio da neve, e o outro foi apanhado por um garoto que o levou, pensando fazer dele um berço para a irmã mais nova brincar. Por isso, a rapariguinha seguia com os pés descalços e já roxos de frio; levava no avental uma quantidade de fósforos, e estendia um maço deles a toda a gente que passava, apregoando: — Quem compra fósforos bons e baratos? — Mas o dia tinha-lhe corrido mal. Ninguém comprara os fósforos, e, portanto, ela ainda nã...

.: semear-se :.

Ir fundo dentro de si é ao mesmo tempo desorientador e bonito. Porque só lá no fundo é que a terra é mais fértil, pode-se plantar o que quiser, sem a preocupação com os olhares externos. A constância da boa colheita vem com a observação e principalmente amor à terra semeada. Somos o íntimo, o potencial escondido dentro de uma matéria orgânica. Material esse que reflete a fome da nossa alma descuidada, viciada e dependente de sofrimentos embutidos nos imediatismos sociais.